Na última semana, o frio intenso provocou o congelamento das ondas do mar na Terra do Fogo, na Argentina. E, claro, as imagens rodaram o mundo e, principalmente, despertaram uma curiosidade: por que o mar congela? Mais ainda, como isso impacta na vida marinha? Ou seja, os peixes e demais seres vivos congelam também?
De fato, mais do que impressionantes, as imagens trazem uma certa preocupação sobre o estado do nosso planeta. Será que isso tem a ver com as alterações climáticas que já vemos em andamento?
Leia mais: Por que as roupas de algodão encolhem ao lavar e como reverter?
Entenda o fenômeno do congelamento do mar
A princípio, o fenômeno de congelamento do mar ocorre principalmente nas regiões polares, onde as temperaturas caem drasticamente. E foi exatamente o que ocorreu na Terra do Fogo, uma vez que se trata de uma região no extremo na Argentina, já chegando ao Polo Sul.
Em fala ao portal O Antagonista, o especialista Francisco Aquino, climatologista da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, explica que o gelo marinho se forma em condições bem específicas. Assim, é mais frequente nas áreas costeiras, pouco profundas, protegidas de grandes correntes e ondas. Além disso, que registrem temperaturas entre −2 °C e −3 °C.
No entanto, essa formação do gelo marinho não é instantânea, ou seja, as ondas do mar não congelam de uma vez só. Pelo contrário, trata-se de um processo gradual no qual a água do mar começa a congelar. Daí, ocorre a cristalização que vai removendo o sal marinho. E é isso que pode resultar na formação de gelo.
Leia mais: Origem das placas tectônicas: novo achado surpreende cientistas
Quais os impactos disso na vida marinha?
Embora as imagens do fenômeno de congelamento do mar sejam quase um espetáculo visual, existe toda uma interferência no ecossistema marinho. Aliás, isso até nem surpreende, né?
Segundo Aquino, o gelo marinho ajuda a criar água mais fria e salgada, rica em oxigênio, que se espalha pelos oceanos. Assim, pode até alimentar diversas formas de vida marinha. Ué, então faz bem? De modo geral, possibilita:
- Criação de habitat para várias espécies.
- Regulação da temperatura, pois águas mais frias e oxigenadas ajudam na sobrevivência de diversas formas de vida.
- Manutenção da biodiversidade, o que ajuda no equilíbrio dos ecossistemas marinhos.
Por outro lado, as mudanças climáticas têm uma influência significativa no congelamento do mar, desde a formação até a duração do gelo marinho. Eventos como o El Niño, por exemplo, intensificam os padrões de circulação atmosférica, resultando em nevascas mais frequentes e intensas.
Só para ilustrar, no mês de maio, foi observado que a expansão do gelo marinho foi maior do que a média esperada. Isso, sem dúvidas, reflete uma resposta direta às alterações climáticas globais.
Leia mais: Solo ‘inteligente’ aumenta produção em 138% com menos água
Então, o aquecimento global também tem culpa nisso?
Como a gente sabe, as temperaturas médias da água dos oceanos vêm aumentando, afetando a formação do gelo. Aliás, provoca até mesmo o derretimento de icebergs.Além disso, padrões climáticos anormais podem intensificar a circulação atmosférica, impactando a durabilidade do gelo. Por fim, condições extremas, como nevascas, influenciam diretamente a quantidade de gelo marinho.
E é por isso que é bom ficar de olho na persistência e as mudanças na formação do gelo marinho. Afinal, estes são indicadores críticos das mudanças climáticas globais. Logo, monitorar essas áreas é essencial para entender melhor os impactos ambientais a longo prazo e para desenvolver estratégias eficazes de conservação.
Sendo assim, as imagens do fenômeno de congelamento do mar são um lembrete da complexidade e da delicadeza do nosso planeta. Sobretudo porque ressaltam a necessidade de esforços contínuos para a conservação e a proteção dos ecossistemas marinhos.
0 comentários